Aqui você encontra destaques sobre o mercado, projetos e profissionais. Especialmente selecionados pela nossa equipe, esses trabalhos servem de referência e demonstram uma união harmônica entre decoração, automação, áudio e vídeo.
Desde sua adolescência, Antônio Ferreira Jr. já dava sinais da sua conexão com as artes. Formado em Arquitetura pela Universidade de Mogi das Cruzes, iniciou sua carreira ao lado de João Armentano e Roberto Migotto, colegas de faculdade. No último ano, conheceu também Marcelo Rosenbaum, que iniciava o curso. Nesta excelente safra, conquistou o mercado paulista ao lado de Mário Celso Bernardes, seu sócio há 21 anos.
Como e por que decidiu ser um Arquiteto?
Desenhava nas paredes do quarto os personagens da Disney, como ficava bacana, tinha o incentivo da minha família. Morávamos na cidade de Araçatuba, mas precisamos mudar para Porto Alegre. Nesta cidade, cheguei a avaliar a possibilidade de fazer medicina e direito, mas foi o curso de Arquitetura que chamou minha atenção. Um tio tinha todos os livros, prancheta, esquadros... e me vendeu todo o material. Cheguei a cursar o primeiro ano na cidade de Canoas, onde fazia muitos trabalhos para os amigos. Já sabia que havia feito a melhor escolha. Minha meta era retornar a São Paulo, então terminei o curso em Mogi das Cruzes.
Como foi o início da sua carreira?
Em Mogi, acabei me tornando amigo de outros estudantes, como o João Armentano e Roberto Migotto, para quem fazia alguns trabalhos de perspectivas para projetos de apartamentos. Marcelo Rosenbaum era estagiário na época. Após dois anos, comecei a trabalhar para uma construtora, onde conheci o Mário Celso. Voltamos a trabalhar com o Armentano e o Migotto, em projetos para lojas de shopping. Eu e o Mário decidimos abrir nosso escritório. Tínhamos apenas um aparelho de fax. Desenhamos e produzimos os móveis.
Quais foram as primeiras obras que ajudaram a divulgar o escritório?
A primeira grande obra que fizemos foi a casa de Ulisses Cruz (diretor de teatro). Também divulgamos o projeto de um loft na primeira edição da revista ViverBem. Nossa primeira participação na Casa Cor aconteceu em 1999, onde fizemos um corredor. Era muito difícil ser selecionado e participar. O resultado foi muito bom, além do contato com outros profissionais, com os jornalistas... Conseguimos projetar o nome do escritório.
Você ainda considera importante participar de mostras?
Este é o tipo de projeto que permite ao profissional experimentar, brincar, usar sua criatividade ou mesmo segmentar seu estilo, mostrar seu trabalho sem a interferência do cliente. Dentro de uma mostra quem tem personalidade se sobressai. Este trabalho diferenciado faz com que as pessoas percebam a autoria.
Como você define o estilo dos projetos do escritório?
Conseguimos separar a influência do modernismo, que não tem cara de nada, e buscamos referências em ícones do design brasileiro, no que o país tem de melhor. Misturamos estes elementos a uma proposta mais contemporânea – com foco na evolução da arquitetura e dos projetos de interiores em todo o mundo. Tudo sem deixar de levar em consideração o que faz diferença na brasilidade, que é o uso das cores e dos materiais.
A sua formação em Arquitetura oferece um olhar diferente aos projetos de interiores?
Nossos projetos de arquitetura sempre têm o olhar do Design de Interiores, pois nos preocupamos também com a ocupação dos espaços, com a ventilação, com a luminosidade, em como o morador irá circular, como será o fluxo, como irá guardar suas coisas... Acredito que os projetos de reforma são, ainda, grandes desafios para os arquitetos, pois precisamos mudar um projeto, deixando o local mais gostoso...
De que maneira a tecnologia e a automação fazem parte dos seus projetos?
Não há como deixar a tecnologia e a automação de lado. Seu principal benefício é a praticidade e a possibilidade de integrar os espaços.
Automação sempre é uma questão de comum acordo com o cliente, mas muitos não têm paciência de ficar manipulando a tecnologia.
Existem automações básicas, como cortinas, em que luzes são colocadas, por exemplo. A gente vai fazendo por partes, de acordo com a necessidade do cliente, pois não adianta encher a casa de automação e a pessoa não conseguir lidar com tudo isso.
Existem muitas possibilidades de implantação de sistemas de automação. Atualmente, temos exemplos muito sofisticados, graças ao computador. Se você está viajando, e quer comandar a automação no seu escritório, é possível fazer isso pelo computador.
Eu acredito que este seja um tipo de instrumento para pessoas mais jovens, que conseguem lidar bem com a tecnologia.
Antônio Ferreira Jr. por Antônio Ferreira Jr.
Quais são os Arquitetos e Designers que mais admira?
Tadao Ando, pela simplicidade e requinte, Le Corbusier, por representar toda a escola modernista, Oscar Niemeyer, Isay Weinfield, ela maneira como utiliza os materiais naturais... Entre os designers destaco Ingo Maurer, Piero Missoni, Patrícia Urquiola, os Irmãos Campana, entre outros.
Que tipo de música está ouvindo no momento?
Sou bem eclético em relação à música, gosto muito do pop americano e no momento ouço muito a Maria Gadu.
Que livros têm em sua mesa de cabeceira?
O último que eu li foi o Caçador de Pipas
Como você se mantém informado?
Procuro viajar muito, conhecer os principais projetos de cada lugar, visito as principais feiras, leio revistas. As lojas também são importantes fontes de informações, já que muitos empresários estão informados das principais tendências em sua área de atuação.
Onde você trabalha quando está criando seus projetos?
Desenvolvo meus projetos no meu escritório, mas às vezes também crio na minha casa mesmo.
Você discute seus projetos com outros arquitetos e designers?
Eu discuto meus projetos com amigos e com outros designers e arquitetos.
Que conselho daria aos jovens arquitetos e estudantes?
O conselho que daria é: preste atenção em tudo que está a sua volta , seja curioso, inquieto e, acima de tudo, perseverante.
O que você espera do futuro?
Eu espero que no futuro não tenhamos mais moradores de rua, que finalmente consigamos acabar com a miséria. Espero, também, que exista menos corrupção.