Destaques

Aqui você encontra destaques sobre o mercado, projetos e profissionais. Especialmente selecionados pela nossa equipe, esses trabalhos servem de referência e demonstram uma união harmônica entre decoração, automação, áudio e vídeo.

Entrevista com o arquiteto Rodrigo Marcondes

Rodrigo Marcondes é formado pela FAU-USP e mestrando no Departamento de Projetos da Universidade. Trabalhou no escritório Zanettini Arquitetura e também foi professor de projetos na Universidade Paulista (UNIP). Fundou o escritório forte, gimenes & marcondes arquitetos (FGMF) junto com colegas em 1999. A principal proposta dos projetos é produzir uma arquitetura contemporânea sem restrição quanto ao uso de materiais e técnicas construtivas. Neles não há fórmulas pré-definidas, tudo se inicia do zero. Além disso, antes de iniciar qualquer projeto arquitetônico os profissionais investigam as relações entre a arquitetura e o Homem. Um exemplo é a Casa Natura.
O escritório foi o mais premiado em 2010. Vencedor dos prêmios Melhor da Arquitetura em duas categorias, Prêmio AsBea, VII Grande Prêmio da Arquitetura Corporativa, Prêmio Planeta Casa e Prêmio IAB. Em 2011, o escritório foi apontado pela revista americana Architectual Record como um dos “emerging architects” e pela revista brasileira Arquitetura e Urbanismo (AU) como um dos jovens escritórios brasileiros mais importantes. Também foram vendedores do Prêmio italiano Dedalo Minose, do Prêmio americano Chicago Athermaeum e do Prêmio Lafarge Gysum.

Como e por que decidiu ser um Arquiteto?
Foi algo que aconteceu naturalmente. Desde muito cedo sempre tive vontade de projetar casas e edifícios. Como diria Lúcio Costa: “vontade de construir sonhos”.

Quais foram os principais desafios encontrados no início da carreira? E hoje quais são os principais desafios do FGMF Arquitetos?
Começamos o escritório muito cedo, quando ainda estávamos na faculdade. Acho que os dois grandes principais desafios eram a falta de experiência e de conhecimento, já que os alunos saem da faculdade crus. Convencer os clientes de que,mesmo sendo muito jovens,seríamos capazes de realizar os desafios propostos também era um problema.
Em geral lidamos com grandes volumes de dinheiro, muitas vezes com tudo o que uma pessoa conseguiu guardar durante a sua vida. É muita responsabilidade e quando se é muito jovem é difícil convencer o cliente, mas conseguimos...!Hoje superamos essas questões iniciais.
Atualmente, entre nossos principais desafios está a necessidade de fazer o escritório crescer e realizar, cada vez mais, projetos em escala maior e que contribuam mais para o ambiente urbano, sem deixar de lado o caráter investigativo da nossa produção. A nós não interessa ser um escritório que produz uma série de projetos por ano e todos iguais, como é comum. Manter o nosso DNA é muito importante.

Quais foram as primeiras obras que ajudaram a divulgar o escritório?
Logo no início tivemos uma casa no bairro do Butantã feita em parceria com o nosso professor Antonio Carlos Barossi, importantíssimo para o nosso aprendizado. Logo após fizemos o projeto de um pequeno prédio comercial para uma rede de salões de cabeleireiro. Este trabalho foi bastante premiado, divulgando o escritório, principalmente no meio da arquitetura.
Outro projeto que ajudou na divulgação foi o Edifício Projeto Viver, destinado a ser a sede de uma ONG em São Paulo. Localizado dentro de uma favela no Morumbi, também foi muito divulgado. Por fim a Casa Grelha, um projeto residencial de grande escala e que deu ao escritório uma projeção internacional.

Como você define o estilo dos projetos do escritório FGMF Arquitetos?
O que tentamos fazer é não ter estilo. Encaramos cada projeto do zero, analisando o programa, o local em que o projeto vai se inserir, o clima, etc. Sem preconceito em relação a materiais e técnicas construtivas. Não queremos que os nossos projetos tenham um estilo específico ou que, por exemplo, só façamos projetos em concreto. Apesar disso algumas pessoas dizem “esse projeto tem a cara de vocês”. Não sabemos direito que cara é essa. Nosso escritório ainda é muito novo.

Como vocês incluem a sustentabilidade nos projetos arquitetônicos?
Pensamos na sustentabilidade desde o início do escritório, quando fizemos o projeto do salão de cabeleireiro. Antes o termo era moda. Nosso escritório pensa nisso sem afetação, sem pensar no caráter “marqueteiro”. Os projetosprecisam funcionar durante o dia e a noite, durante o verão e o inverno. Buscamos minimizar o desperdício das construções através de sistemas mais inteligentes e modernos. Também aplicamos a sustentabilidade através da fabricação. Usamos materiais recicláveis e certificados. Analisamos o clima do local e buscamos resolver com a própria arquitetura a questão do melhor aproveitamento de energia. Temos projetos certificados e premiados nessa área, o que nos deixa felizes, além de possuir essa preocupação genuína e diferente do mercado em geral.

A que se deve a grande quantidade de prêmios que o escritório vem ganhando nos últimos anos?
Acreditamos que venha desse nosso DNA de investigação utilizando o desenho como método, além de sempre buscar o novo. Costumamos brincar com um dos sócios, o Lourenço, quando ele diz “O que eu já sei fazer, no limite, não me interessa”. Acho que é um pouco por aí, os prêmios chegam por conta do nosso comportamento.

Quais são as principais características dos projetos que o escritório projeta para espaços comerciais?
Buscamos atender da melhor forma as necessidades iniciais do cliente. Para isso costumamos propor ideias que inicialmente não foram propostas por ele. Quando nos aproximamos de um problema novo chegamos com uma espécie de inocência que nos faz propor coisas inovadoras, importantes para os clientes absortos e viciados no dia a dia. Algo não pensado antes. Além disso, tentamos fazer espaços que encantem os visitantes, que sejam melhores para estar durante o dia e que possuam desde o início uma preocupação com a sustentabilidade.

Quais são as principais características dos projetos que o escritório projeta para espaços residenciais?
Buscamos produzir espaços contemporâneos. Sempre discutimos bastante a natureza de cada espaço, tentando subverter um pouco aquela compartimentação tradicional das residências, que não reflete mais a forma de viver atual. Buscamos, sempre que possível, uma forte ligação entre os espaços internos e externos da edificação, tentando deixar os limites entre eles mais etéreos.

Quais são os principais fatores de sucesso num projeto?
Atender bem o programa. Respeitar o entorno (ainda que seja para fazer algo totalmente diferente). Criar um edifício que funcione bem, que seja durável, que não tenha uma manutenção muito onerosa, que esteja alinhado com o tempo em que vivemos, com as tecnologias disponíveis, com o modo de viver das pessoas no local e época. E que além de tudo isso respeite o meio ambiente.

De que maneira a Automação já faz parte dos seus projetos residenciais e comerciais? Projetos automatizados já são uma exigência dos clientes?
Utilizamos os sistemas de automação (dos mais simples aos mais complexos) há bastante tempo. E cada vez mais estão presentes em todo tipo de projeto. Em muitos casos é uma exigência dos clientes em outros nós que sugerimos.

Vocês costumam automatizar a casa inteira ou apenas alguns ambientes específicos?
Depende do cliente e do budget disponível. Na maior parte dos casos acabamos automatizando a parte de home entertainment sistema de segurança, iluminação e som dos ambientes de estar como sala e varanda (cada vez mais considerada parte importante da casa). Às vezes fazemos sistemas de automação mais completos incluindo iluminação de piscina, som nos banheiros, climatização de adega, etc. Acredito que esses sistemas ainda estão em estágio inicial e que nos próximos anos teremos muitas novidades.

Quais as vantagens da automação residencial?
Basicamente facilitar a vida. No caso da iluminação podemos ter sistemas mais complexos e econômicos, sem ter aquele monte de botões para acender e apagar as lâmpadas. Quando não há automação as pessoas acabam não usando todos os cenários disponíveis por preguiça de ficar regulando tudo. O som em vários ambientes da casa, com possibilidade de separação de canais, permite que o dia a dia fique mais interessante. A climatização de uma adega, por exemplo, pode estar ligada com um controle dizendo que vinhos estão disponíveis ali, transformando em mais um item de entretenimento.
As tecnologias estão cada vez mais interligadas. Com um iPhone e alguns aplicativos tudo pode ser conectado e acionado por um telefone celular. A vida fica mais fácil, confortável e divertida.

Vocês realizam o projeto de automação sozinhos ou contam com alguma parceria?
Sempre contamos com parceiros especializados. O projeto é feito em conjunto. Contar com a ajuda dos especialistas é fundamental.


Rodrigo Marcondes por Rodrigo Marcondes

Quais são os Arquitetos e Designers que mais admira?
Do Brasil eu citaria o Lelé, pelos espaços extraordinários que cria e pela simplicidade com que lida com cada item de um edifício. Entre os mais novos, gosto do Ângelo Bucci, pelos belos edifícios e pelo deslocamento que conseguiu ao longo dos anos da arquitetura modernista paulista, criando uma linguagem própria e extremamente atual.
Dos estrangeiros, gosto muito do Renzo Piano, por toda a pesquisa tecnológica que é feita por seu escritório e pela elegância de seus edifícios. É uma coisa que não existe por aqui, todo arquiteto sonha em fazer o que ele faz. Tem vários outros como Herzog e De Meuron, os japoneses Tadao Ando e Sanaa e o suíço Peter Zumthor. Os americanos do Diller e Scofideo também fazem coisas muito bacanas.

Que tipo de música está ouvindo no momento?
Muita música eletrônica. A forma dos DJs trabalharem me atrai. É como se projetassem cada momento da música pensando nas sensações que desejam transmitir. O trabalho deles se assemelha bastante ao do arquiteto.

Que livros têm em sua mesa de cabeceira?
Costumo ler vários livros ao mesmo tempo. No momento estou lendo o romance Pornopopéia,muito interessante. Acabo que ler o novo livro do Jô Soares, As Esganadas e estou relendo o livro Delirious New York do arquiteto Rem Koolhaas.

Como você se mantém informado?
Tenho me informado através de jornais, revistas e bastante internet. Um pouco de televisão e das conversas com os amigos.

Onde você trabalha quando está criando seus projetos?
Normalmente no escritório, na mesa onde crio e desenvolvo os projetos junto com meus dois sócios. Apesar de que muitas vezes as ideias surgem quando estou no chuveiro, no carro ou assistindo a um filme em casa. Acho que é uma coisa meio intrínseca da nossa atividade, nunca paramos de pensar nos projetos.

Você discute seus projetos com outros arquitetos e designers?
Na fase de criação com os meus sócios e com a equipe do escritório. Depois que já estão concebidos costumamos mostrar para alguns amigos em encontros que fazemos a cada mês. Depois disso nas premiações que participamos, onde temos mais uma oportunidade de discutir sobre nossos projetos e de outros profissionais.

Que conselho daria aos jovens arquitetos e estudantes?
Trabalhem muito e estudem bastante. Vejam muitos projetos, tentem entender porque foram feitos daquela maneira, o porquê das decisões dos arquitetos. Viajem o máximo que puderem para conhecer de perto coisas diferentes e divirtam-se enquanto projetam. Talvez uma das razões de termos conseguido essa quantidade de prêmios é o fato de sempre nos divertimos fazendo nossos projetos.

O que você espera do futuro?
Espero mais projetos de diferentes escalas, que causem impacto positivo na vida daqueles que utilizam espaços e na cidade em que estão inseridos. Mais prêmios e mais diversão!


 

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